Revestimento para tanque de ácido e tubulação química, qual epóxi resiste a cada fluido

Autor Jozivaldo da Silva

Última atualização em 30/10/2026

Tanques cilíndricos e modulares de armazenamento químico instalados dentro de bacia de contenção em concreto, com tubulações industriais e estruturas metálicas.

Revestimento para tanque de ácido e tubulação química, qual epóxi resiste a cada fluido

O revestimento certo para tanque ou tubulação com produto químico depende do fluido, da concentração e da temperatura. O Plasteel Alta Temperatura resiste a ácido sulfúrico 98% e suporta 200 °C. O Plasteel Alta Resistência Química atende ácido sulfúrico 50%, soda cáustica em temperatura ambiente e solventes, até 90 °C. Já o Plasteel Cerâmico Pintável Azul cobre álcalis, combustíveis e solventes aromáticos.

Em tanques e tubulações de químicos, a falha começa pequena. Um microfuro, uma trinca de solda ou a perda de espessura evoluem para vazamento, contaminação do solo e parada não programada. Por isso, quando o fluido é agressivo, escolher só pela tecnologia não basta. A decisão precisa partir do fluido.

Se você ainda compara epóxi com poliureia, borracha vulcanizada e fibra de vidro, comece pelo guia de revestimento epóxi para tanques industriais. Se o fluido já está definido, siga daqui.

Qual Plasteel resiste a cada fluido

O mesmo ácido pode pedir produtos diferentes conforme a concentração. Na tabela, o ácido sulfúrico 98% é inadequado para o Alta Resistência Química e excelente para o Alta Temperatura.

Fluido e concentração Alta Resistência Química (90 °C, picos de 120 °C) Alta Temperatura (200 °C, picos de 250 °C) Cerâmico Pintável Azul (90 °C, picos de 120 °C)
Ácido sulfúrico 10% Excelente Excelente Excelente
Ácido sulfúrico 50% Excelente Satisfatório Inadequado
Ácido sulfúrico 98% Inadequado Excelente Inadequado
Ácido clorídrico 10% Excelente Excelente Excelente
Ácido clorídrico 36% Satisfatório Excelente Inadequado
Ácido nítrico 10% Excelente Excelente Excelente
Ácido fosfórico 85% Excelente Excelente Excelente
Ácido acético 10% Satisfatório Satisfatório Inadequado
Soda cáustica 50% Excelente Excelente Excelente
Hipoclorito de sódio 12% Excelente Excelente Inadequado
Amônia 30% Excelente Excelente Excelente
Acetona Excelente Excelente Inadequado
Metanol Excelente Excelente Inadequado
Tolueno e xileno Excelente Excelente Excelente
Gasolina e óleo diesel Excelente Excelente Excelente
Cloreto de metileno Inadequado Inadequado Inadequado

As notas vêm das fichas técnicas e valem para ensaio de imersão por 20 dias a 25 °C, em película de 1 mm. Temperatura mais alta, ciclos de aquecimento e fase de vapor mudam o resultado. A soda cáustica foi avaliada em temperatura ambiente, e hoje não há Plasteel para soda cáustica a 90 °C. Os valores seguem as fichas técnicas vigentes na data de publicação, então confira sempre a versão atualizada de cada ficha. Para um fluido ou concentração fora da tabela, consulte o time técnico antes de especificar.

Onde o ataque químico começa no tanque e na tubulação

O ataque raramente é uniforme. Ele começa onde já existe uma descontinuidade ou onde o fluido se acumula e condensa, como no topo do tanque, onde os vapores do próprio produto se concentram. Concentração, temperatura e tempo de contato definem a velocidade.

  • Soldas e cordões. Trincas e microfuros em soldas são pontos de falha frequentes e recebem reforço com stripe coat antes da camada final.
  • Flanges e bocais. Juntas e flanges vazam e recebem respingo. Um flange de tanque de óleo de 50 mil litros foi vedado com Plasteel Massa 4:1, e o tanque voltou a ser enchido 4 horas depois.
  • Linha de nível e fase de vapor. A região acima do líquido sofre com vapor e condensado. O Alta Resistência Química é indicado para manter estabilidade também na fase de vapor.
  • Pites e áreas desgastadas. Precisam ser reconstruídos antes do revestimento final, com o Plasteel Cerâmico Espatulável.
  • Interior da tubulação. O limite prático é o acesso. Por isso, o Alta Resistência Química é indicado para tubulações de 4 polegadas ou mais, e o case da siderúrgica abaixo foi feito em tubos de 32 polegadas.
  • Face externa. Respingos e vapores atacam vigas, suportes e redutores ao redor do tanque, e também pedem proteção.

Qual Plasteel usar em cada situação

Escolha pelo fluido primeiro e pela temperatura depois.

  • Plasteel Alta Temperatura (FT). Indicado para ácido sulfúrico 98%, ácido clorídrico 36% e fluidos quentes. Suporta 200 °C contínuos e picos de 250 °C, com cura em temperatura ambiente. Além disso, é também o indicado para o tanque em que o ácido sulfúrico 98% é diluído em água, porque a reação eleva a temperatura de forma violenta, podendo chegar a 100 °C.
  • Plasteel Alta Resistência Química (FT). Indicado para ácido sulfúrico a 50% já diluído e em temperatura ambiente, soda cáustica em temperatura ambiente e solventes, até 90 °C. Ademais, tem acabamento vitrificado e atende reatores e tanques fixos.
  • Plasteel Cerâmico Pintável Azul (FT). Indicado para álcalis em temperatura ambiente, combustíveis e solventes aromáticos, até 90 °C. Porém, não é indicado para ácido sulfúrico 50% e 98%, ácido clorídrico 36%, hipoclorito 12%, acetona e metanol. Também pode servir de primer para outros produtos da linha.

Antes do revestimento final, o Plasteel Cerâmico Espatulável reconstrói pites e áreas desgastadas, e o Plasteel Massa 4:1 fecha trincas e furos. Quando a exposição química é mais severa, o Plasteel Titanium tem maior resistência química que o Massa 4:1 e atende esses reparos. Em vazamento com o equipamento em operação, o Plasteel Rapid estanca primeiro, e o reparo definitivo vem depois.

Cases em tanques e tubulações

Em cinco casos, o fluido definiu o produto e o método de aplicação. Quatro são aplicações reais e um é teste piloto.

Reatores de aço carbono em indústria química.

Dois reatores de 20 mil litros armazenavam soda cáustica, álcool a 75% e outro produto altamente agressivo. Microfuros causavam vazamento, corrosão, respingos no piso e emissão de vapores. Como os tanques são fixos, não houve jateamento. Logo, a superfície foi preparada com disco flap e limpa com o desengraxante Quimatic ED SOLV, e o Plasteel Alta Resistência Química foi aplicado com rolo de lã de carneiro, em 1 mm. Em conclusão, os reatores voltaram a operar após 48 horas, e a empresa evitou trocá-los por tanques de inox.

Tubulação interna em siderúrgica.

Cinquenta metros de tubulação de 32 polegadas recebiam líquidos acima de 200 °C contaminados por gás sulfídrico, dióxido e trióxido de enxofre. Depois do jateamento, o Plasteel Alta Temperatura foi aplicado por dentro dos tubos, com 123 kg de produto. O custo ficou em cerca de 30% do valor da solução usada antes, e a vida útil estimada é de cerca de um ano.

Estrutura de tanques de lixiviação em mineradora de ouro.

Vigas e redutores dos tanques sofriam com ácido, soda cáustica diluída e cianeto, e a tinta epóxi precisava ser reaplicada a cada 15 dias. Com o Plasteel Cerâmico Pintável Azul, a nova intervenção só foi necessária depois de seis meses, uma durabilidade 12 vezes maior.

Tanques de diesel de embarcações.

Combustível de baixa qualidade causava microporos em tanques de alumínio e inox. Com três demãos de Plasteel Cerâmico Pintável Azul, a parada caiu para cerca de 24 horas, contra dias ou semanas na troca de chapas. Como resultado, pelo menos 10 embarcações já foram tratadas, e as aplicações seguem intactas após 1 a 5 anos.

Teste piloto com ácido sulfúrico 98%.

Tanques de fibra de vidro de um fabricante furavam em poucas semanas com esse ácido. Em um tanque piloto, o Plasteel Alta Temperatura foi aplicado em camadas alternadas com a fibra. Após sete dias de cura, o tanque ficou uma semana com ácido a 98% em temperatura ambiente e passou por novo ensaio com água, para simular variação de temperatura. Por consequência, o revestimento teve desempenho excelente nos dois ensaios.

Como aplicar em tanque ou tubulação

O desempenho do revestimento depende da preparação e do respeito à proporção de mistura. Os valores abaixo seguem as fichas técnicas.

  1. Limpeza. Antes da aplicação do revestimento, é fundamental remover resíduos dos produtos anteriormente armazenados no tanque, como ácidos, bases, sais, óleos e graxas. Lave a superfície com água de alta pressão, no mínimo 3.000 psi, para eliminar contaminantes e sais solúveis. Na presença de óleo ou graxa, utilize o desengraxante Quimatic ED SOLV, diluído 1:5 em água, seguido de enxágue completo. Uma limpeza adequada evita que contaminantes prejudiquem a aderência e o desempenho do revestimento.
  2. Preparação da superfície. Para promover uma superfície adequada à aplicação do revestimento, recomenda-se o jateamento abrasivo ao grau Sa 2½, conforme ISO 8501-1, com perfil de rugosidade entre 100 e 120 µm. Quando as características ou a localização do tanque impossibilitarem o jateamento, pode ser realizada preparação mecânica até o grau St 3, conforme previsto na Ficha Técnica, como foi feito nos reatores apresentados neste case.
  3. Inspeção da superfície. Após o tratamento, verifique se o grau de limpeza e o perfil de rugosidade estão de acordo com o especificado. Utilize o rugosímetro para conferir o perfil obtido antes da aplicação do revestimento.
  4. Reconstrução. Preencha pites e desgastes com o Cerâmico Espatulável e feche trincas e furos com o Massa 4:1 ou, quando a exposição química for mais severa, com o Plasteel Titanium, antes da camada final.
  5. Condições e mistura. Confira que o substrato esteja pelo menos 3 °C acima do ponto de orvalho. Misture entre 20 e 32 °C, na proporção de 3 partes de A para 1 de B em volume no Alta Resistência Química e no Azul, e de 5 para 1 no Alta Temperatura. O pot life é de 30 minutos a 25 °C.
  6. Stripe coat e aplicação. Antes da aplicação geral do revestimento, reforce com pincel as regiões mais críticas, como soldas, flanges, quinas e cantos vivos, assegurando uma cobertura adequada nesses pontos. Em seguida, aplique o revestimento com rolo, pincel ou pistola, respeitando a espessura mínima recomendada de 1 mm. Quando necessária uma camada adicional, a aplicação pode ser realizada após aproximadamente 1 hora, respeitando o intervalo de repintura indicado na Ficha Técnica.
  7. Cura e liberação. A cura funcional leva 24 horas a 25 °C no Alta Resistência Química e no Alta Temperatura, e 16 horas no Azul.
  8. Inspeção do revestimento. Durante a aplicação, utilize o medidor de película úmida para acompanhar a espessura aplicada. Após a cura, verifique a espessura da película seca e realize a inspeção com Holiday Detector para identificar possíveis descontinuidades, como poros e microfuros, antes de colocar o tanque em serviço.

Segurança em espaço confinado.

A aplicação no interior de tanques exige atenção especial, pois esses ambientes podem ser caracterizados como espaços confinados. Assim, antes e durante o trabalho, devem ser adotadas medidas de controle, como avaliação e monitoramento da atmosfera, ventilação adequada e procedimentos seguros de entrada, permanência e saída. A atividade deve atender aos requisitos da NR-33 e às recomendações de segurança dos produtos utilizados.

Perguntas frequentes

Qual revestimento resiste a ácido sulfúrico 98% em tanque?

Entre os Plasteel, o Alta Temperatura, que tem nota excelente na ficha técnica. O Alta Resistência Química é inadequado nessa concentração. Já o Alta Temperatura cura em temperatura ambiente e suporta 200 °C contínuos.

O Plasteel Alta Resistência Química resiste a ácido concentrado?

Depende do ácido. Ele tem nota excelente para ácido sulfúrico 50% já diluído e em temperatura ambiente e satisfatória para ácido clorídrico 36%, mas é inadequado para ácido sulfúrico 98%. Ao diluir o ácido sulfúrico 98% em água para chegar a 50%, a temperatura sobe de forma violenta e pode chegar a 100 °C, e esse preparo deve ser feito em tanque revestido com Plasteel Alta Temperatura. Depois de diluído a 50% em temperatura ambiente, o ácido pode ficar em tanque com Plasteel Alta Resistência Química.

Dá para aplicar sem jateamento em tanque fixo?

Sim, com preparo mecânico até o grau St 3, como a FT admite. Porém, o jateamento Sa 2½ continua sendo o recomendado e deve ser feito sempre que o tanque permitir.

É possível revestir a tubulação por dentro?

Sim, a partir de 4 polegadas, segundo a página do Alta Resistência Química. No case da siderúrgica, o revestimento foi aplicado em tubos de 32 polegadas depois de jateamento.

Quanto tempo o tanque fica parado?

A cura funcional leva 24 horas a 25 °C no Alta Resistência Química e no Alta Temperatura, e 16 horas no Azul, além do tempo de preparação. No case dos reatores, o equipamento voltou a operar em 48 horas.

Conclusão

Escolher o revestimento de um tanque ou tubulação começa pelo fluido. Concentração, temperatura e ponto de ataque definem o produto, e as fichas técnicas mostram que uma mesma linha pode ser excelente para um ácido e inadequada para outro.

A Quimatic reúne mais de 60 soluções químicas para a indústria, laboratório próprio, fabricação nacional e certificações ISO 9001 e Bureau Veritas.

Precisa definir o revestimento do seu tanque ou tubulação? Envie ao time técnico da Quimatic o fluido, a concentração, a temperatura e o material do equipamento. Assim, você recebe a indicação do Plasteel e a ficha técnica correspondente.

Veja também o guia de revestimento epóxi para tanques industriais e o guia de revestimento epóxi para diques de contenção, que protege o dique que cerca o tanque. Para recuperar um dique atacado por ácido, leia o guia de recuperação de dique de contenção com ataque químico.